18 outubro 2015

Resenha: Ligeiramente Casados - Mary Balogh

Edição: 1
Editora: Arqueiro
Autor: Mary Balogh
Serie: Os Bedwyns
Titulo Original: Slightly Married
ISBN: 9788580413212
Ano: 2014
Páginas: 288
Tradutor: Ana Rodrigues

Sinopse:
À beira da morte, o capitão Percival Morris fez um último pedido a seu oficial superior: que ele levasse a notícia de seu falecimento a sua irmã e que a protegesse "Custe o que custar!". Quando o honrado coronel lorde Aidan Bedwyn chega ao Solar Ringwood para cumprir sua promessa, encontra uma propriedade próspera, administrada por Eve, uma jovem generosa e independente que não quer a proteção de homem nenhum.
Porém Aidan descobre que, por causa da morte prematura do irmão, Eve perderá sua fortuna e será despejada, junto com todas as pessoas que dependem dela... a menos que cumpra uma condição deixada no testamento do pai: casar-se antes do primeiro aniversário da morte dele o que acontecerá em quatro dias.
Fiel à sua promessa, o lorde propõe um casamento de conveniência para que a jovem mantenha sua herança. Após a cerimônia, ela poderá voltar para sua vida no campo e ele, para sua carreira militar.
Só que o duque de Bewcastle, irmão mais velho do coronel, descobre que Aidan se casou e exige que a nova Bedwyn seja devidamente apresentada à rainha. Então os poucos dias em que ficariam juntos se transformam em semanas, até que eles começam a imaginar como seria não estarem apenas ligeiramente casados...
Neste primeiro livro da série Os Bedwyns, Mary Balogh nos apresenta à família que conhece o luxo e o poder tão bem quanto a paixão e a ousadia. São três irmãos e três irmãs que, em busca do amor, beiram o escândalo e seduzem a cada página.
Resenha:
"No início era apenas conveniência, mas eles acabaram se rendendo a uma ardente paixão."

Romance de época para mim foi uma espécie de vicio e  Julia Quinn foi a porta de entrada para esse “novo mundo”, que consequentemente acabei entrando de cabeça e expandindo cada vez mais meus horizontes. A Editora Arqueiro também contribui ativamente para que esse “vicio” seja nutrido e estimulado lançando cada vez mais livros do gênero. Julia Quinn, Lisa Kleypas, Loretta Chase... e dessa vez fui para mas mãos de Mary Balogh. E que surpresa agradável.

“Ligeiramente Casados” nos introduz no mundo de Coronel Aidan Bedwyn e Eve Morris, que por desígnios do destino, acabam se encontrando.
Eve é um garota simples e que sempre morou no campo com os pais e o irmão. O pai, um ex mineiro de carvão, fez fortuna através do trabalho e de um bom casamento com a filha do dono da mina. Mas, logo ficou viúvo e com os dois filhos para criar. Como um bom alpinista social, ele fez questão de que ambos os filhos recebessem a melhor educação possível, sonhando com o dia em que Percival se tornaria o administrador de suas terras e Eve faria um bom casamento, de preferência com alguém da aristocracia.
Nem preciso dizer que seus planos foram frustrados. Percival comprou uma patente no exercito e saiu de casa e todas as varias tentativas de casar Eve acabaram frustradas. O tempo passou e acometido por uma grave doença, o pai de Eve e Percy veio a falecer.
Mas o controle que não conseguiu sobre os filhos em vida, o seu testamento tentou exercer. Em uma das clausulas, foi especificado que as terras de Ringwood eram de Eve, mas apenas por um ano após a morte do pai, depois disso as terras passariam para Percy, ou se ela quisesse manter a propriedade, precisaria se casar no mesmo espaço de tempo.
Eve não se sentiu pressionada com a clausula, já que seu irmão era também seu melhor amigo e nunca a colocaria na rua ou iria impor um casamento que ela não deseja-se.Mas, eis que certo dia, após meses da partida de Percy para a guerra, ela recebe a visita inusitada do Coronel Aidan Bedwyn, o superior de seu irmão, com uma triste noticia: Percy está morto. Tudo isso quatro dias antes do aniversario de morte do pai deles, o que significava que as suas terras e fortuna só seriam dela por mais quatro dias, depois estava na rua, sem um tostão no bolso e quem assumiria a fortuna seria seu primo Cecil, uma pessoa dissimulada e gananciosa.

Aidan é um soldado implacável no campo de batalha, conhecido e reconhecido por sua capacidade de liderar o batalhão e a cavalaria. Após uma das ultimas batalhas que antecederam o final da guerra, Aidan estava percorrendo o campo e fazendo o levantamento das baixas quando se deparou com um de seus homens feridos. Ao se aproximar, descobriu ser Percival Morris, que anos antes havia salvado sua vida em uma outra batalha. Nos últimos momentos de vida o rapaz pediu a Aidan que levasse a noticia de sua morte a irmã, Eve, pessoalmente e que a protegesse a todo custo.
Tomado pelo instinto de honra e pela divida que tinha com o homem, o Coronel jura fazer o possível para ajudar Eve.
“-Prometa...-A voz falhou. Mas a morte ainda não o levara. De repente, o capitão abriu os olhos, e conseguiu reunir forças para levantar o braço e tocar a mão do coronel com os dedos fracos já carregados do frio da morte. Ele falou com uma urgência que apenas o fim da vida provocava. –Prometa que irá protegê-la – pediu Morris. Seus dedos apertavam febrilmente a mão do coronel - Prometa! Custe o que custar! ”
Quando Aidan e Eve se encontram a animosidade entre eles é quase palpável, mas o dever fala mais alto e o Coronel se vê obrigado a passar algum tempo com a irmã de Percy. E é então, que ele descobre a clausula do testamento e que Eve esta prestes a perder todos os seus bens, incluindo a casa onde mora.
Dividido entre o desejo de partir de volta para sua vida, para rever seus irmão e familiares e a forma que se sente preso a promessa que fez ao homem que salvou sua vida.Ele decide então que a única forma de ajudar Eve é cumprindo a maldita clausula do testamento,ou seja, casando-se com ela nos próximos quatro dias.
Mas, por mais que seja um casamento por conveniência, o entendimento entre os dois nos dias em que concordam em passar juntos para que o casamento se pareça verdadeiro perante aos olhos dos outros, acaba se tornando um desafio, tanto para a independente Eve quando para o autoritário Aidan.
"Parte da água que escorria pela face de Eve tornou-se morna. Ela secou o rosto e abaixou mais o capuz. Poderia, caso se permitisse tamanha indulgência, chorar e chorar até se sentir fraca e vazia. Pela perda de um homem honrado que jamais tornaria a ver, embora ele fosse para sempre seu marido. Pela perda do amor e homem que não voltara para ela a tempo. Pelo irmão, cuja morte ela mal tivera chance de lamentar. Por um futuro que parecia assustadoramente vazio."
Gente, eu sei que vai parecer que estou me repetindo, mas a verdade é que este livro é totalmente fora dos padrões que estamos acostumados. Lembra sobre os livros da Julia Quinn e Lisa Kleypas, que eu sempre frisei nas resenhas o quando os personagens são diferenciados e inusitados, apresentando um novo olhar para aquela época onde regras de etiqueta e aparência eram tudo? Pois é, tudo que eu falei era verdade,mas  naquele momento, quando eu não tinha os padrões de Mary Balogh para comparar. Primeiro de tudo, o fato mais inusitado é que estamos lidando com dois anti-heróis. Eve foi criada no campo e nunca tentou se encaixar, ela prefere a tranquilidade do campo, onde pode viver como desejar, sem seguir regras de etiqueta e padrões de beleza. Para isso ela se cerca de pessoas um tanto quanto peculiares. Ela contrata pessoas com deficiência, mulheres que tiveram filhos sem serem casadas. Ela também adota dois órfãos. Atitudes como essa já tornam Eve uma personagem impar, sem precedentes, tanto para o leitor quando para os padrões da época.

Já Aidan, o soldado implacável, que em seu intimo se vê como um assassino, alguém que é pago para matar e que se esconde atras farda. O modo como as pessoas o tratam, se referindo a ele como herói, o desagrada. Ela não se acha capaz de amar, de ter sentimento e nem mesmo mercê-los.Aidan esconde sentimentos fortíssimos e emoções conflitantes, e até mesmo questões morais, por traz da fachada fria, cruel e impassível.

Ambos são figuras alto suficientes que do nada se pegam precisando um do outro e sem saber como fazer para pedir ajuda. Esse impasse entre eles rende ao leitor boas gargalhadas ao mesmo tempo em que comove pela pureza dos sentimentos de ambos.

Eve se tornou uma das minhas protagonistas preferidas principalmente pelo fato de que ela não é inocente e não faz questão de esconder isso. Bem,  vai o aviso de pequeno SPOILER a seguir: Ela não é virgem, admite isso e faz questão de tomar iniciativa no sexo, inclusive propondo. Não que isso seja uma coisa extraordinária, mas as protagonista em 90% dos casos são virgens inocentes, apesar de decididas, que não tem a mínima noção do que esta acontecendo. Eve não, ela sabe o que quer e como quer, dane-se quem não gostar. É fantástico e impossível não amar, principalmente pelo fato de que a atitude dela não se restringe a isso, ela não se acovarda por ser uma garota do campo em meio ao luxo e a riqueza de Londres, nem mesmo o irmão de Ainda, o duque de Bewcastle, que está acostumado a ter todos acatando as suas ordens consegue domar o espírito livre, o senso de dever e honra de Eve, e nem mesmo fazer com que ela se sinta menosprezada. Ela sabe sua origem e não se envergonha dela, nem se arrepende as atitudes que a levaram até aquele momento.

Inicialmente o livro é um pouco morno, temos esse impasse entre eles, mas somente Aidan sendo altruísta e mostrando sua honra e Eve na defensiva, sem saber o que esperar. Mas aos poucos, quando a situação inversa se apresenta, vamos ver nitidamente essa diferença entre classes sociais e vamos ver também como cada um vai lidar com isso. É deste modo que vir á tona a bagagem emocional dos protagonista.

Ai gente, eu amei demais esse livro, eu sou uma viciada no gênero, e achei o livro extremamente envolvente, com uma trama simples e coesa, com personagens fortes e bem desenvolvidos, todos eles possuem uma bagagem emocional bastante grande. Ao longo da trama a autora vai deixando pontas soltas para os livros que ainda estão por vir, com os outros irmãos Bedwyn como protagonistas, te instigando e deixando aquele gostinho de quero mais.

Mary Balogh tem uma escrita fluida e envolvente, é impossível parar de ler.
Sem contar é claro que a editora Arqueiro faz um trabalho magnífico nos trazendo uma obra fantástica.
Nem preciso dizer que todos que curtem um bom romance devem correr para ler e se divertir junto com Aidan e Eve, né?
”Nós, Bedwyns, sempre levamos o casamento muito a sério, Eve. Qualquer pessoa que se case com um de nós precisa estar preparada para ser amada e cuidada pelo resto da vida.”

Sobre o autor:


Autora premiada e presença constante nas listas de bestsellers do New York Times, Mary Balogh cresceu em Gales, terra de mar e montanhas, músicas e lendas. Ela levou consigo a música e uma imaginação vívida quando se mudou para o Canadá. Aí desenvolveu uma segunda carreira como autora de livros com finais felizes e que celebram o poder do amor. Os seus romances históricos venderam já mais de 4 milhões de exemplares em todo o mundo.

6 comentários:

  1. Oi Geeh,
    essa foi a primeira resenha de "Ligeiramente Casados" que ei vi e já quero que nem doido ler o livro.
    Não sou acostumado a ler romances de época, mas esse tem cara de que vai me surpreender muito e tenho certeza quer vou gostar, tanto que já gostei até dos personagens principais.
    Abração.

    Vinicius
    omeninoeolivro.blogspot.com

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  2. Olá, Geeh. Os Bedwyns é uma das poucas séries de romance histórico que me agrada, na verdade a única. Identifiquei-me bastante com a escrita da Mary Balogh, o que não acontece, geralmente, com a Julia Quinn e a Lisa Kleypas. A história de Aidan e Eve foi bastante inovadora para mim, com seus toques clichês, como sempre, mas um tanto original. Gostei!

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  3. Oii!!
    Amei demais a sinopse. Casamentos de conveniência nunca dão certo, ou melhor, sempre dão certo...rsrsr. Adorei muito a série Os Bedwyns, já quero ler todos. Parabéns pela resenha!!
    Bjo e sucesso!

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  4. Olá, Geeh.
    Chega a ser engraçado: personagens fora do padrão estão se tornando o padrão nos livros de época. rs Quanto à obra, legal a trama também focar nos anti-heróis. Prefiro personagens desse estilo.
    Contudo, ainda assim, não tenho tanta pretensão de ler a obra.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de outubro. Serão seis livros para três vencedores.

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  5. Olá,
    Já li várias resenhas deste livro. No entanto, a sua foi a primeira que li que me despertou interesse, pois abordou um lado diferente das demais.
    Beijos
    www.estilogisele.com.br

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  6. Eu também me viciei no gênero por conta da Julia Quinn e tem sido uma paixão intensa rsrs, gostei muito desse da Mary Balogh e pela sua resenha percebo que é exatamente como eu gosto, espero poder ler em breve....
    Bjocas

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