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Semana E.Samuel - As Quatro Portas do Tesouro : Entrevista!!


Oi, oi pessoal!! 
Infelizmente nossa "Semana E.Samuel" esta chegando ao fim!! =(
E para fechar com chave de ouro, hoje nos vamos ter uma pequena entrevista com nossa querida autora. São poucas perguntas, mas bem especificas e coisa bem de fã (já que fui eu que elaborei, não poderia ser diferente, né? hahaha). Curiosos!??


Livros de Elite: Ao ler “Em Busca do Amuleto de Aloni” a primeira coisa que mais me impressionou foi a personalidade dos protagonistas, cada qual bastante diferenciada e forte. Como foi o processo de criação de Júlio, Daniel e Marcelo? Foram inspirados em alguém especial?

E. Samuel: De uma certa forma, Daniel, Júlio e Marcelo foram crescendo e se mostrando mais, à medida que a história foi se desenvolvendo. No começo eu tinha mais ou menos definido o perfil que eu gostaria que cada um tivesse, mas com o passar do tempo eles foram meio que “tomando as rédeas” e apresentando naturalmente suas próprias características. O Júlio, por exemplo, começou muito tímido, mas foi um dos personagens que mais cresceu na trama e acabou se tornando um dos meus favoritos. Nenhum dos personagens foi baseado em uma única pessoa, mas todos eles têm partes de pessoas que eu conheci ao longo da minha vida. Algumas características, aparência física e comportamento foram, de alguma forma, “emprestados” de várias pessoas e se juntaram para formar um único personagem. Então, se você me conheceu no passado, pode ser que parte sua esteja dentro de algum dos meus personagens!

Livros de Elite: A Mata de Anatema é totalmente fictícia ou existe algum lugar (no Brasil ou fora dele) que te inspirou nas características?

E. Samuel: A Mata do Anatema é totalmente fictícia. Muitos escritores gostam de usar lugares reais para situar suas histórias. Eu, na maioria das vezes, uso lugares imaginários, criados por mim, pois assim tenho maior liberdade de criação. As vezes um lugar pode servir de inspiração, como no meu livro “Uma Janela na Praia”, mas no caso da Mata do Anatema, ela simplesmente “brotou do nada, destoando de todo o resto da vegetação ao seu redor”! 

Livros de Elite: Hoje em dia escrever para o público juvenil é um desafio, já que existe sempre aquela expectativa para que eles tirem alguma “lição” da leitura. Eu li “Em Busca do Amuleto de Aloni” e sei que ele cumpre bem o papel. Mas como foi para você, alguma vez isso foi uma preocupação?

E. Samuel: Essa pergunta é muito interessante! Quando eu escrevi o livro pela primeira vez, não me preocupei em colocar nenhuma lição escondida nas entrelinhas, eu só queria contar uma história divertida. Anos mais tarde, tendo um pouco mais de experiência, e sabendo que esse era um fator importante, voltei à minha história e fui procurar se havia alguma “lição” em tudo aquilo que eu havia escrito e, para minha surpresa, estava lá! Minha intenção, a princípio, era apenas escrever um livro legal, uma aventura, que as crianças pudessem ler e ter aquela sensação de que tinham vivido a história junto com os personagens, mas percebi que naturalmente, eu já havia colocado nele uma lição. O mais legal é que acho que essa “lição” é bem sutil e não deixa a história chata e com um “moral da história” no final. Hoje em dia, porém, faço um pouco diferente: antes de começar a história, eu já tenho uma ideia de que tipo de mensagem eu quero transmitir na história, então, de uma certa forma, hoje em dia isso é uma preocupação mais ativa e não um acaso.

Livros de Elite: Eu tenho vários amigos autores e sei que a maioria reclama sobre a “desvalorização” da literatura nacional e da preferência dos leitores por leitura internacional. Mas como é para você, uma brasileira em solo estrangeiro, isso ajuda ou atrapalha?

E. Samuel: Infelizmente, essa é uma grande verdade: a literatura nacional é muito desvalorizada no Brasil. Existem muitos autores excelentes que não tem chance de mostrar seu trabalho e competir com os pacotes prontos que vem do exterior. Acho que de uma maneira geral, a literatura é muito mais valorizada aqui do que é aí no Brasil. O incentivo à leitura aqui começa muito cedo nas escolas e só tende a crescer durante a vida da pessoa. Isso reflete em um povo que lê mais, que pensa mais, que exige mais e que, claro, consome mais livros. Portanto, o mercado literário aqui é muito maior e mais amadurecido do que o brasileiro. É de se esperar que produza mais títulos de qualidade e que consigam alcançar mercados internacionais pelo mundo à fora. Portanto, muitos desses livros chegam facilmente ao Brasil e já chegam com a fama necessária para que sejam “best-sellers”. Dessa forma, para as editoras, vale muito mais a penas investir apenas numa tradução (que, diga-se de passagem, as vezes é muito malfeita) e ter um livro que vai ser sucesso garantido do que investir num autor nacional, frequentemente não muito conhecido e que, embora tenha um trabalho de qualidade, vai exigir muito mais risco e esforço para chegar ao mesmo nível de sucesso. No final do dia, as editoras são empresas que tem a finalidade de ter lucro e publicar um livro estrangeiro é lucro mais garantido do que publicar um autor nacional. Isso sem falar nos próprios leitores, que tendem a valorizar e dar preferência ao que vem de fora. Esses mesmos leitores são justamente as pessoas que tem a força necessária para mudar essa situação: quando você lê um autor nacional, você não só ajuda esse autor, mas também ajuda a melhorar o cenário literário do país como um todo. Se as pessoas lessem mais os autores nacionais, as editoras investiriam mais na literatura nacional, que por sua vez, ficaria cada vez melhor e assim por diante, como uma bola de neve.
Agora, respondendo à pergunta sob o meu ponto de vista, pois como vocês podem ver, me empolguei um pouco com o assunto: para mim isso ajuda E atrapalha! Ajuda, pois, como as pessoas tendem a valorizar mais o que vem de fora, acabam ficando mais interessados pelo fato de eu estar aqui, ter lançado o livro aqui antes de levar para o Brasil, etc. Por outro lado, atrapalha, pois estar aqui me impede de estar aí o tempo todo, se é que isso faz algum sentido!  O que quero dizer é que, estando aqui, acabo não tendo tanto contato pessoalmente com os meus leitores, mas felizmente, hoje em dia o mundo todo é conectado e isso me permite estar perto dos meus leitores não só no Brasil, mas em vários outros países! Em breve espero fazer visitas periódicas ao Brasil para poder encontrar com meus leitores pessoalmente.

Livros de Elite: Durante a semana E. Samuel, eu e nossos leitores ficamos sabendo que você é eclética, tanto no dia-a-dia quanto na sua escrita. Como é o processo de criação de um novo livro? Como você “migra” de um gênero ao outro com tanta facilidade?

E. Samuel: Acho que isso vem do fato de eu não ler apenas um gênero literário. Eu leio de tudo, ou quase de tudo e acho que em função disso, vários tipos de histórias acabam nascendo na minha cabeça. Pode ser que com o passar do tempo eu acabe me especializando em um determinado estilo, mas por enquanto não quero me rotular como nada. Gosto dessa possibilidade de explorar ideias novas e me aventurar.
O processo criativo para mim começa com uma pequena ideia, que vai aos poucos tomando forma e se desenvolvendo, até virar uma história de verdade. Normalmente, quando estou escrevendo, gosto de ler livros relacionados ao estilo que estou trabalhando no momento. Acho que isso me ajuda a “ficar mais no clima” e também nessa transição de um estilo para o outro.

Livros de Elite: Conte-nos, como surgiu a ideia inicial para escrever a série “As quatro Portas do tesouro”!

E. Samuel: O primeiro livro da série surgiu inspirado em um conto que eu escrevi quando era criança. Com o passar dos anos esse conto foi se modificando e crescendo até chegar ao que é hoje “Em Busca do Amuleto de Aloni”. Inicialmente eu havia pensado em fazer só um livro, mas a história foi crescendo tanto na minha cabeça, e comecei a ver tantas outras possibilidades, que resolvi transformas aquilo numa série. Escolhi fazer histórias independentes, entrelaçadas, mas que tenham um final, assim as pessoas podem decidir que querem continuar a ler porque gostaram do livro e não porque foram deixadas em suspense sem saber o que vai acontecer (obviamente essa não é uma decisão muito “marqueteira”, mas...). Cada aventura nessa primeira fase é única, mas não se esqueçam de prestar atenção aos detalhes!


É isso ai pessoal!! Espero que tenham gostado da semana e das novidades! Assim que surgir alguma noticia nova sobre a serie e a autora, vai estar aqui no blog, pois como eu disse para a autora, a parceria, por mim, é vitalicia!! HAHAHA

4 comentários:

  1. Gostei da sinceridade da autora ao falar que, no princípio, a ideia era criar apenas uma história divertida. Só disso ela já ganha muitos pontos comigo.
    Excelente entrevista.

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  2. Olá
    Adorei a semana E. Samuel, foi muito bacana.
    Fechou com chave de ouro mesmo mesmo, essa entrevista foi muito legal, saber como tudo surgiu os pensamentos e ideias da autora... legal mesmo.
    Bjocas!!

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  3. Geeh!
    Gostei muito da entrevista, principalmente porque ela é bem descritiva em suas respostas.
    Sucesso!
    “A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.”(Mario Quintana)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  4. OI! Uma pena que a Semana chegou ao fim, mas gostei da entrevista. Realmente a literatura brasileira é desvalorizada, mas concordo com o que disse a escritora, o incentivo a leitura ajuda muito, além do mais só surge escritores através de leituras. Beijo.

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