29 abril 2016

Resenha: A Rainha Vermelha - Victoria Aveyard

Edição: 1
Editora: Seguinte
Autor: Victoria Aveyard
Titulo original: Reed Queen
Serie: A Rainha Vermelha – Livro 1
ISBN: 9788565765695
Ano: 2015
Páginas: 422
Tradutor: Cristian Clemente

Sinopse:
O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.
Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?
Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe - e Mare contra seu próprio coração.
Resenha:
“O sangue deles é uma ameaça, um aviso, uma promessa. Não somos iguais e jamais seremos”.
Hoje estamos aqui para falar sobre um livro que mexeu com os meus sentimentos. Gente, é serio, esse livro me abalou psicologicamente e emocionalmente. Sabe o chão? Pois é, estava nele quando virei a ultima pagina, acho que estou até agora. Sem exagero nenhum, o final desse livro foi algo que demorei uns  2 dias para digerir, neste prazo eu me peguei varias vezes durante o dia pensando no quanto fui trouxa. Mas enfim, tirando o papel de otária, essa foi a melhor leitura do ano, com certeza.

A Rainha Vermelha é uma trama distópica, que se passa em um tempo onde o mundo voltou para monarquia e a população é dividida pela cor do sangue. Os que possuem sangue prateado também são dotados de poderes extraordinários, desde o controle dos elementos, como água, ar, fogo e terra e também controle de mentes e metais, força extrema e invisibilidade. Esses poderes fazem com que se tornem a elite do mundo, ocupando os melhores cargos e consequentemente escravizando os com sangue vermelho, que são pessoas normais, sem nenhum dom, apenas seres humanos comuns que servem os prateados, que se consideram deuses. Essa é a divisão hierárquica do mundo. Pelo menos era, até Mare Barrow.

Mare Barrow é uma vermelha, nasceu em um povoado extremamente pobre e vive com os pais e os irmãos. O pesadelo de Mare é a guerra secular que acontece entre os reinos, já que quando se completa dezoito anos e não se é aprendiz em alguma profissão, o único destino é a frente de batalha, seja homem ou mulher.
O pai de Mare e um sobrevivente do conflito, que após um ataque ficou paraplégico e perdeu o funcionamento de um dos pulmões. Seus três irmãos mais velhos estão nas linhas de frente, e a próxima é ela, que não possui emprego e sobrevive de pequenos furtos.

O melhor amigo de Mare, Kilorn é um aprendiz de pescador, mas por infeliz acaso o mestre do rapaz sofre um acidente e acaba morto e agora ele é o próximo a ser encaminhado para a guerra. Ele e Mare começam então a juntar dinheiro para fugir, com o apoio da Guarda Escarlate, e tentar conseguir a liberdade que tanto esperam. Mas o valor é exorbitante. Como dois desempregados, que vivem de pequenos furtos, podem juntar tal quantia? Isso é o que atormenta Mare, quando ela tanta roubar a carteira de Cal em um bar do vilarejo.
O encontro com o rapaz bondoso, de roupas puídas e atitude simplória rende a Mare um emprego no palácio, como criada da família real. E ela começa a trabalhar lá exatamente no dia da prova real, um evento onde será escolhida a nova princesa, quando as principais famílias e as mais poderosas, exibem suas filhas e seus dons ao rei, para que a mais forte seja escolhida e se case com o príncipe herdeiro, tornando a linhagem real ainda mais forte.

É claro que Mare não tem a minima noção de quais tarefas deve desenvolver em seu novo emprego, e em um pequeno descuido, acaba caindo direto dentro arena onde as concorrentes demostram seus poderes para o príncipe. Mas detalhe: a arena é coberta por um campo elétrico, para proteção dos observadores. Quando Mare cai, o que ela espera é uma morte rápida e indolor, eletrocutada imediatamente. Mas de algum modo, não é isso que acontece, ela parece absorver toda a eletricidade em seu corpo, caindo intacta, a não ser pelas roupas queimadas no meio da arena. Isso, somado ao fato de que o príncipe que a observa no camarote real é alguém que ela conhece, faz com que Mare entre em panico.
“Eu costumava pensar que existia apenas uma divisão: prateados e vermelhos, ricos e pobres, reis e escravos. Contudo, há muito mais entre esses dois extremos, coisas que não entendo, e estou bem no meio delas.”
Assim, A Rainha vermelha foi amor a primeira pagina, é difícil de explicar, mas a trilogia é uma mistura de tudo o que eu amo. Sim, tem elemento que te levam a comparar com diversas outras obras consagradas. Tem um fundo de “A Seleção” da Kiera Cass??? Tem sim senhor!!  A “Prova Real “ é uma confirmação disso. Todas as famílias tem uma participante no concurso, e são famílias que apesar de terem o sangue prateado, são súditas, e que almejam que uma plebeia assuma o cargo de a próxima rainha. E elas disputam entre sí, até que uma delas seja escolhida.
Tem um pouquinho de Jogos Vorazes? Tem também!! O fato é que os mais pobres, de sangue vermelho se submetem ao reino, de todas as formas, seja como soldados ou fornecendo e cultivando tudo que os preteados precisam, ficando com quase nada do que produzem e vivendo de forma miserável, e alem disso, aos dezoito anos são obrigados a morrer em nome da causa.

Entendam bem, eu não estou dizendo que o livro é uma copia dessas duas sagas. A Rainha Vermelha possui elementos únicos que fazem o livro ser a obra prima que é, mas em determinados momentos o leitor é capaz de fazer esse “link” entre as historias, pois todas elas possuem elementos em comum, como um governo excludente, abusivo e o massacre dos menos favorecidos.

Este também é um livro que engana o leitor. É fácil achar que deduziu a trama toda logo nos primeiros capítulos, né? Ainda mais mais agora que eu comparei com A Seleção... não é mesmo? Erradíssimo!! O leitor pode até achar que entendeu tudo, mas não poderia estar mais enganado. Como eu falei acima, eu , com todos esses meus anos de leitora assídua, fui trouxa do inicio ao fim. Quando o livro terminou, eu fiquei procurando onde poderia estar escrito “Calma, é tudo uma pegadinha”.
 Foi aqui também que encontrei o primeiro triangulo amoroso que não me irritou. É vamos ter um triangulo, mas é algo diferente e inusitado, então, por favor, tenha calma.  Mas já fiquem sabendo: não tem um Príncipe, e sim dois e não vai ser possível escolher entre eles(sqn). E vamos ter a protagonista interagindo com os dois. Mas a autora não se limita a apenas o trio de protagonistas, vamos ter diversos personagens secundários que representam grande parte da trama e que são extremamente bem construídos e estruturados, psicologicamente e emocionalmente.

Victoria Aveyard nos traz uma trama inquietante e instigante, que apesar das similaridades que citei, tem o toque especial e características únicas. Nos vamos amar alguns personagens e odiar outros de todo o coração, mas também vamos ser traídos de uma forma épica e irreparável, que vai fazer o leitor ficar de coração partido.

Mas Geeh, vai ter ou não vai ter romance? Sim e não, essa é a resposta que eu tenho para vocês!! Lembra da semelhança com Jogos Vorazes? Então, Mare é uma sobrevivente, ela ama a sí mesmo e a vida de um modo desesperador. Ela quer sobreviver a qualquer custo, e também lutar por sua causa, a libertação dos Sangues Vermelhos, e para isso ela vai passar por cima de qualquer um e qualquer coisa que entre em seu caminho. E isto serve para o amor. Mas, apesar de não ter essa possibilidade de romance trabalhada diretamente, tem em segundo plano alguém que se importa com Mare e que ela prioriza ao ponto de talvez inclui-lo em sua jornada.
"Você está fingindo que é uma prateada de sangue criada como vermelha.Você é agora vermelha na cabeça, prateada no coração."
A Rainha vermelha é narrado em primeira pessoa, apenas pelo ponto de vista de Mare, e isso foi um dos únicos pontos que me incomodou um pouco. Como eu já falei, o livro possui uma gama de outros personagens maravilhosos, e o fato de a trama nos mostrar apenas um ponto de vista é frustrante. Eu particularmente adoraria uma divisão de POV ou a narrativa de uma observador. Mas enfim, acredito que o fato de a trama ter esse final  estarrecedor  seja o motivo desta limitação.

A escrita da autora também é fantástica, bastante fluida e descritiva, e isso faz com que mesmo uma trama tão complexa se torne de fácil compreensão.
Acho que já deu para entender que eu amei a leitura, não é mesmo? Mas, não posso e nem vou me estender mais, pois ir alem é dar spoiler, e eu quero muito que todos se deliciem (e sofram também!! Muahahaha) com essa obra maravilhosa!!

Sobre o livro físico eu não tenho palavras suficiente para descrever o quão maravilhoso ele é. A capa é metalizada e a coroa, o sangue e o título são em relevo dando uma aparência realista ao desenho. A diagramação é simples, com uma revisão impecável, sem erros aparente, uma fonte bastante agradável para leitura e paginas amareladas!!
Ahh, e um detalhe importantíssimo!! Para os amantes dos marcadores de pagina, na orelha da contra capa vem um marcador lindíssimo incluído.
"A verdade não importa. Só importa aquilo em que as pessoas acreditam. "
O próximo volume da serie é intitulado Espada de Vidro e foi publicado mês passado pela editora Seguinte!! Em breve tem resenha dele aqui, enquanto isso, segue a capa e a sinopse!


O sangue de Mare Barrow é vermelho, da mesma cor da população comum, mas sua habilidade de controlar a eletricidade a torna tão poderosa quanto os membros da elite de sangue prateado. Depois que essa revelação foi feita em rede nacional, Mare se transformou numa arma perigosa que a corte real quer esconder e controlar.
Quando finalmente consegue escapar do palácio e do príncipe Maven, Mare descobre algo surpreendente: ela não era a única vermelha com poderes. Agora, enquanto foge do vingativo Maven, a garota elétrica tenta encontrar e recrutar outros sanguenovos como ela, para formar um exército contra a nobreza opressora. Essa é uma jornada perigosa, e Mare precisará tomar cuidado para não se tornar exatamente o tipo de monstro que ela está tentando deter.



Sobre o autor:

Cresceu em Massachusetts e frequentou a Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles. Formou-se como roteirista e tenta combinar seu amor por história, explosões e heroínas fortes na sua escrita. Seus hobbies incluem a tarefa impossível de prever o que vai acontecer em As Crônicas de Gelo e Fogo, viajar e assistir a Netflix.


Vale lembrar também que a trilogia vai ser adaptada para o cinema. Os direitos foram comprados pela Universal e a diretora escolhido para dirigir o filme é a atriz Elizabeth Banks, que teve sua estreia como diretora no filme "A Escolha Perfeita 2". Já o roteiro é assinado por Gennifer Hutchison, e a produção por Jake Weiner, Chris Bender, JC Spink e Pouya Shahbazian. Infelizmente ainda não possui elenco definido.

Autora e Diretora.

6 comentários:

  1. Adorei a resenha!
    Senti um clima meio Jogos Vorazes mesmo, mas ao mesmo tempo o livro parece ter características próprias bem legais! Agora estou bem ansiosa para ser trouxa do início ao fim com essa leitura hahahah

    Bjs

    http://noveplanetas.blogspot.com.br/

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  2. Olá, Geeh.
    Não sei se iria curtir o livro. Como você bem disse, ele tem uma pegada de Jogos Vorazes com a Seleção. Gostei da primeira série e a segunda não me interessou. Porém, gosto de leituras mais originais e mesmo que esse livro tenha características próprias, não sei se iria gostar.
    De toda forma, sua resenha positiva me fez querer dar uma chance para a obra.
    Ótima resenha.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de abril. Serão três vencedores!

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  3. Oi Geeh.

    Amei a resenha, faz tempo que estou namorando essa série, quero muito poder desfrutar dessa leitura.
    A resenha me lembrou um pouco do livro Fúria Vermelha, é maravilhoso, não gostei muito de jogos vorazes então não seria um livro ao qual eu posso comparar.
    Boa Noite.

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  4. TODAS as resenhas que eu li de "a rainha vermelha" sempre dizem a mesma coisa: fantástico. Claro que isso só aumenta a minha curiosidade! Um ponto que eu vi nas outras resenhas foi sobre a vilã, a rainha. Disseram que era fantástica!

    http://notasmentaisparaumdiaqualquer.blogspot.com/

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  5. Se tem um pouco de cada série citada acho que deve ser maravilhoso e diferente essa mistura, lendo a resenha já fiquei meio angustiada com o sofrimento dos sangues vermelhos e essa historia de ficar de coração partido aiai.. Não gostei do triangulo amoroso odeiooooo rsrs, mas se não te irritou quem sabe também não me irrite kkk.

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  6. Oii ❤
    Acho que devia ter sido narrado em terceira pessoa, a história perdeu pontos por isso, é saber personagens secundários bons e depois não saber aproveita-los tão bem!
    Amor por disto pias, e essa roubou meu coração rs estou levando a minha expectativa sobe esse livro as alturas, pois só vejo elogios, espero não me decepcionar. Beijos 😘

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