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Resenha: Sedução da Seda - Loretta Chase

Edição: 1
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580415698
Autor: Loretta Chase
Serie: As Modistas
Titulo original: Silk is for Seduction
Ano: 2016
Páginas: 304
Tradutor: Simone Reisner
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Sinopse:
Talentosa e ambiciosa, a modista Marcelline Noirot é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. E só mesmo seu requinte impecável pode salvar a dama mais malvestida da cidade: lady Clara Fairfax, futura noiva do duque de Clevedon.
Tornar-se a modista de lady Clara significa prestígio instantâneo. Mas, para alcançar esse objetivo, Marcelline primeiro deve convencer o próprio Clevedon, um homem cuja fama de imoralidade é quase tão grande quanto sua fortuna.
O duque se considera um especialista na arte da sedução, mas madame Noirot também tem suas cartas na manga e não hesitará em usá-las. Contudo, o que se inicia como um flerte por interesse pode se tornar uma paixão ardente. E Londres talvez seja pequena demais para conter essas chamas.
Primeiro livro da série As Modistas, Sedução da seda é como um vestido minuciosamente desenhado por Loretta Chase: de cores suaves e românticas em alguns trechos, mas adornado com os detalhes perfeitos para seduzir.
Resenha:

Marcelline Noirot é uma mulher forte e muito ambiciosa, e que esconde um passado arrasador. Filha de pais que vieram da nobreza londrina, mas de famílias falidas, e que ganhavam a vida aplicando golpes e nas casas de jogos. Quando o casal não tinha filhos, a vida era fácil e simples, mas após ter Marcelline e suas duas irmãs mais novas, tudo ficou mais complicado. As meninas era tratadas como um estorvo, deixadas a própria sorte ou aos cuidados de conhecidos. 
Até que  o surto de cólera assolou a França,  vitimando os pais de Marcelline, a prima, que era a tutora das meninas no ramo da costura, o marido dela e deixou sua filha pequena a beira da morte. Foi a partir deste momento que ela tomou as rédeas da situação, e trouxe para sí a responsabilidade de cuidar das irmãs e da filha. O grupo de mulheres acabou em Londres, onde Marcelline Noirot usou a única coisa que aprendeu com os pais para ajudar a família, que é aplicar golpes e a ser mestre nos jogos de azar.
Com o pouco dinheiro que conseguiram, elas colocaram em pratica a profissão que aprenderam, a de costureira.  Logo a Maison e Noirot estava montada e com uma clientela razoável. Mas a ambição do trio não deixou que elas parassem por ai. Atualmente o sonho delas é se tornarem as modistas mais requisitadas e sofisticadas de Londres, e para isso acontecer, a única opção que conseguem visualizar é vestindo a Duquesa de Cleverdon, que teoricamente ainda nem existe, já que o Duque ainda é solteiro e tem uma fama de libertino considerável.
Mas, todos da sociedade Londrina esperam que ele despose Lady Clara, a filha do tutor do Duque, por quem ele sempre nutriu uma afeição especial.
Só que o problema é que Cleverdon está a vários anos longe de Londres, residindo em Paris. Então, para que Marcelline consiga colocar em pratica o seu plano, ela precisa encontrar o Duque em Londres e convence-lo a voltar e também que garanta que os vestido de Clara sejam feitos por ela.
Só que as coisas fogem um pouco do controle quando Marcelline conhece Cleverdon, que é extremamente mais bonito e charmoso do que o descrito por todas as mulheres da alta sociedade.

Marcelline não é uma mulher inocente, ela vem de uma família de trapaceiros e já foi casada, então, o jogo de sedução que se estabelece entre eles é uma queda de braço, na qual nenhum dos dois quer se dar por vencido.
“Quando olhou para baixo e seus olhares se encontraram, certo e errado perderam o sentido. Eram da mesma espécie e os semelhantes se atraem. Ele a desejava. E ela, que conseguia lê-lo sem dificuldades, havia dito uma verdade incisiva após a outra.Sim, ele continuaria a desejá-la até conseguir tê-la. Então, se tudo fosse consumado, ele poderia se libertar dela.”
Então gente, como vocês bem sabem, eu amo romance de época, é o meu gênero preferido. E até então, eu nunca tinha lido algum que me desagradasse completamente. Mas, isso foi até ler “Sedução da Seda”.

Quando se fala em romance de época as pessoas já meio que imaginam um padrão especifico, ou seja, a mocinha solteirona e o libertino convicto que aos poucos se vê completamente envolvido em uma relação da qual fugia com tanto afinco. E o final feliz é garantido. Mas não é conto de fadas, entendam bem, as relações podem ser inusitadas, mas não completamente irreais ou descabidas, como é exatamente o caso de “Sedução da Seda”, que extrapola os padrões, até mesmo para a ficção.

Marcelline, como eu falei , é uma mulher forte e determinada, que vem de uma família com um passado e com membros de caráter duvidoso. Ela por sinal, se esforça muito para não cometer os mesmos erros dos pais e antepassados, ela cuida família e tem um emprego do qual gosta e se dedica. Podemos dizer que ela é uma mulher de bom coração, apesar de não evitar sucumbir aos outros tipos de erros comuns em sua família, como a manipulação e a trapaça, para benefícios próprios. E é ai o primeiro erro da trama no quesito irrealidade. Ela é uma vigarista, de bom coração, é claro, mas mesmo assim, uma vigarista e manipuladora. E o fato mais bizarro é que ela acredita que o “dom” para a trapaça é uma herança de família, e não um desvio de caráter, e que não ter ética, ser mercenária e não tem escrúpulos, está tudo bem, é até louvável. Ela acredita que os fins justificam os meios, então não importa em quem ela pisar, se for para manter a sua família a salvo, tudo bem. Esse caráter dúbio dela é totalmente sem sentido e descabido.

Já o Duque de Cleverdon, ele é a pessoa mais inocente de todas, em todos os sentidos, apesar da autora tentar coloca-lo como um libertino experiente na arte da sedução. Ele é também um babaca, já que basta apenas um bom decote de Marcelline e alguns olhares sedutores para que ele coloque em risco um relacionamento de anos, assim como sua reputação e posição, sem nem ao menos pensar duas vezes. Sinceramente, ele me pareceu sem personalidade nenhuma, um personagem apagado e com pouca serventia.

Também vamos ter um pouquinho das outras duas irmãs de Marcelline, que por sinal, me parecem bem mais complexas do que ela, e que vão ser as protagonistas dos próximos livros.

E também temos Lady Clara, a garota que foi noiva de Cleverdon desde sempre. E ela é de longe a personagens mais intrigante da trama. Ela é a menina sonsa, que aos poucos de mostra forte e determinada, mas extremamente passiva, quase que a trama inteira.

Outro ponto que também não me agradou no livro é o fato de ter um triangulo amoroso. Marcelline, Cleverdon e Clara desenvolvem uma relação doentia. Marcelline quer ser a modista de Clara, e Cleverson quer Marcelline em sua cama. Já Clara, ela é inocente ao ponto de aceitar ambos, mesmo sabendo da obsessão de um pelo outro.  E esse triangulo amoroso capenga degringola de uma forma absurda.

Acho que só pela descrição vocês conseguem perceber que a trama é pouco logica e contraria qualquer bom senso, até mesmo para os padrões da ficção.
Mas, em contra partida os personagens são bastante originais e bem construídos emocionalmente, com bagagens emocionais bem trabalhadas e elaboradas apesar de tudo.

Enfim, entre todos os pós e contras, para mim a leitura foi enfadonha, em diversos momentos me vi questionando se continuaria ou não a ler. O que me fez chegar ao fim foi única e exclusivamente a minha força de vontade .
O que eu mais senti falta, alem de uma trama mais coesa, foi a falta de humor. Não temos aqui diálogos espirituosos, engraçados e inteligente, tudo se resume a um drama descabido, pouco envolvente ou convincente.

Eu estou até agora em choque, fui com tanta sede ao pote, pois Loretta Chase é a autora da serie  “Canalhas”, também publicada pela editora Arqueiro e do mesmo gênero, e que é a minha serie favorita e acabei totalmente decepcionada.

Gente, quem gosta do gênero, assim como eu, deve se ariscar na leitura, mas não com expectativas muito altas. Leia “Sedução da Seda” de coração aberto, talvez assim vocês consigam se envolver com a trama e personagens, coisa que não fui capaz.

Sobre o livro físico, nem preciso dizer que é uma perfeição. A Editora Arqueiro, como sempre, está de parabéns. A capa é maravilhosa, e corresponde exatamente ao enredo. A diagramação é simples, mas de qualidade, com uma revisão impecável, fonte agradável para leitura e paginas amareladas.

Os próximos títulos da serie!

Sobre o autor:

Loretta Lynda Chekani nasceu em 1949 numa família albanesa. Assim que aprendeu a escrever, passou a pôr no papel as histórias que inventava. Formou-se em inglês pela Clark University, onde trabalhou meio período como professora, ao mesmo tempo que escrevia roteiros. Foi quando conheceu um produtor que a inspirou a publicar suas histórias. Os dois acabaram se casando. Com o sobrenome do marido, Loretta Chase vem publicando romances históricos desde 1987, pelos quais ganhou vários prêmios, inclusive o RITA, da Associação Americana de Escritores de Romances, por O príncipe dos canalhas.

11 comentários:

  1. Já vi em muitos lugares sobre este livro e a história parece bem cativante, ainda se tratando livro de época. Adoro histórias assim! Espero um dia comprar a coleção inteira e desfrutar do meu tempo lendo =). Assim, gosto muito quando o principal personagem é mulher, me conecto mais ainda com o livro ^^

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  2. Acho essa capa linda e tanbém achei que os personagens e a historia em si fossem mais envolventes. Afinal seria uma disputa entre elas, ela quer a costura, ele ela e a noiva fica no meio disso. Odeio triângulos amorosos não vejo graça. Concordo com esse caráter da protagonista fazer trapassas e achar isso normal, não concordo se ela tem um coração bom deveria ser uma pessoa correta.

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  3. Eu estava com altas expectativas para ler esse livro, primeiro porque a capa é linda, segundo porque se passa em uma Londres histórica e terceira por envolver moda, mas depois da sua resenha fiquei com um pé atrás. A história parece envolver muito pouco, com um relacionamento estranho entre os personagens...também acho o humor essencial nos romance históricos. Abraços =)

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  4. Olá, Geeh.
    Se você, que gosta do gênero, não gostou tanto da obra, fico imaginando eu, que não sou fã. Sem falar que alguns dos pontos mencionados me incomodariam demais, como o protagonista fraco, apagado e meramente um "tarado". Triângulos amorosos também não funcionam para mim.
    Desta forma, não leria a obra. Mas a resenha está boa, como sempre.

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  5. Oi, tudo bem?
    Sua resenha, como sempre, perfeita. Não li esse livro e nem os outros da autora. Gosto de romances de época, mas depois de suas palavras sobre a obra, já não fiquei tão entusiasmada para ler. No momento deixo passar, pois minha lista de leituras já está imensa, então, o livro tem que me conquistar para entrar na fila! Beijos!

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  6. Não acho que apenas pelo fato da protagonista ser meio bipolar a trama extrapole o bom senso. Acho que isso deve fazer o livro se tornar, no mínimo, mais interessante.
    Sempre falei que não leria um romance de época facilmente, só por achar que todos seguem esse padrão que você citou na resenha, e por sempre se tratar de uma família e desenvolver o romance de cada membro e blá, blá, blá.
    Fiquei curiosa com esse livro por ser imprevisível para o gênero. Não espero encontrar um "felizes para sempre" no final e isso me anima. Vou procurar saber mais sobre a obra e, quem sabe, ler meu primeiro romance de época.

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    1. Como eu falei na resenha, esse é exatamente o problema do livro. Tudo leva a crer que não vai ter um final feliz, e está tudo bem com isso, esperamos por isso. Mas dai a autora extrapola, cria uma coisa totalmente surreal para chegar no tal "felizes para sempre". É isso que é chato.

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  7. Poxa a Sedução da seda não é tão clichê como eu pensava ou é? Pense aí numa confusão na minha cabeça com essa história. quando li "que extrapola os padrões, até mesmo para a ficção" fiquei mega curiosa, mas decepcionei com a ideia de voltar a mesmice de um final feliz! Sou dessas que gosta de um dramão com mais drama e que nem tudo fica bom no fim

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  8. eu tenho problemas com romances de época justamente por causa de como vc mesmo descreveu, segue uma forma meio que prevista..
    tô rindo aqui do "que a trama é pouco lógica e extrapola padrões"
    bom, como eu já tô tentando me aventurar nesse estilo... acho que vou começar por outra série...

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  9. Que pena que você não gostou.
    Lendo a resenha me parecia interessante apesar de não ser o meu gênero literário favorito.

    E também achei as capas lindas.

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  10. Ok, fiquei até surpresa agora por ver você falando que não curtiu tanto assim. Também amo romances nesse estilo e o gênero sempre me conquista. Essa autora é boa também, gostei do que li dela. Mas será que a personagem vai irritar? Vigarista de bom coração é conflituoso e deu até medo agora do que esperar. Achei um bom romance, diferente até, mas essa coisa da personagem me incomodou agora =/

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