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Resenha: A Cabana - William P. Young


Edição: 1
Editora: Sextante
ISBN: 9788599296363
Ano: 2008
Páginas: 240
Tradutor: Alves Calado

Sinopse: A filha mais nova de Mackenzie Allen Philip foi raptada durante as férias em família e há evidências de que ela foi brutalmente assassinada e abandonada numa cabana. Quatro anos mais tarde, Mack recebe uma nota suspeita, aparentemente vinda de Deus, convidando-o para voltar àquela cabana para passar o fim de semana. Ignorando alertas de que poderia ser uma cilada, ele segue numa tarde de inverno e volta ao cenário de seu pior pesadelo. O que encontra lá muda sua vida para sempre. Num mundo em que religião parece tornar-se irrelevante, "A Cabana" invoca a pergunta: "Se Deus é tão poderoso e tão cheio de amor, por que não faz nada para amenizar a dor e o sofrimento do mundo?" As respostas encontradas por Mack surpreenderão você e, provavelmente, o transformarão tanto quanto ele.


"Se você odiar essa história, desculpe, ela não foi escrita para você."
Quando li este livro, a um bom tempo atrás, ele tinha acabado de ser lançado. Todo mundo estava falando dele e, entre os que gostavam sempre surgia alguns que não haviam gostado da história. O motivo era óbvio: A Santíssima Trindade representada por uma mulher negra e gorda como Deus, um homem do Oriente médio como Jesus e e uma mulher asiática como o Espírito Santo. Enquanto muitos julgavam o enredo uma heresia, uma história sem pé nem cabeça que "distorcia" os ensinamentos da igreja, eu apenas vi a representatividade do verdadeiro sentimento que Deus quer nos passar: o amor. Independente de ser negro, branco, asiático, homem, mulher - Deus está em todos os lugares, em todas as pessoas. Isso que me fez amar o livro e indicá-lo a todos que eu conhecia.
"—Então qual de vocês é Deus?
— Eu — responderam os três em uníssono. Mack olhou de um para o outro e, mesmo sem entender nada, de algum modo acreditou."
O que você faria se sua filha fosse raptada e brutalmente assassinada? Sua filha pequena, a mais nova, a menininha dos seus olhos?
Mack se fechou para o mundo e passou a culpar a Deus pelo ocorrido. Se Deus é tão bom e poderoso, porque deixou que essa maldade acontecesse a sua filha?
Assim, depois de 4 anos, Mack recebe um bilhete, aparentemente de Deus, para encontrá-lo no lugar mais agonizante para ele: A cabana onde, supostamente, sua filha foi assassinada, para passar um final de semana. Claro que Mack pensa que pode ser uma armadilha do assassino ou uma brincadeira de mau gosto de alguém que sabe o que lhe aconteceu. Mesmo assim, ele parte para a cabana e o que ele encontra lá, acaba mudando sua vida para sempre.
Independente da minha religião, este livro me tocou de diversas formas diferentes e, confesso, chorei durante boa parte dele. Mack nutre um ódio pelo que aconteceu a sua filha que nos é sentido na pele. Ele passa esse ódio para o leitor e todos os seus questionamentos são os nossos também. O encontro de Mack com a Santíssima Trindade é recheado de momentos tensos, de amor, carinho e confissões.
"O perdão existe em 1º lugar para aquele que perdoa, para libertá-lo de algo que vai destruí-lo, que vai acabar com sua alegria e capacidade de amar integral e abertamente..."
O autor cria um enredo crível e questionador. Não sou mãe, mas tenho meus sobrinhos que amo tanto, na época em que li este livro eu ainda não era tia, mas me compadeci do sofrimento de Mack. Imagine minha dor agora, depois de ser tia e imaginar que algo assim poderia acontecer com um deles.
Me emocionei demais com as citações, metáforas e desconstruções religiosas que possuem na trama. Este livro ficou em minha cabeceira durante muitos anos. Como vocês podem perceber, ele está bem velhinho, amarelado e com manchas nas páginas. Este é a primeira edição, ainda lançado pela Editora Sextante. Toda vez que algo difícil me acontecia, eu olhava para ele e lembrava do que Mack passou e isso me ajudava a enfrentar o que estava por vir.
"...Quem não duvidaria ao ouvir um homem afirmar que passou um fim de semana inteiro com Deus e, ainda mais, em uma cabana? Principalmente naquela cabana..."
A narrativa é em terceira pessoa e abrange todos os lados dessa emocionante história. Passamos a conhecer Mack de tal maneira que nos sentimos ligado a ele e quando o fim se aproxima, pedimos que não acabe, que a história continue infinitamente. A escrita do autor é gostosa, leve e sucinta, não conseguimos deixar de ler tamanha é a vontade de saber o que vai acontecer. O autor é formado em Religião, então podemos esperar várias situações onde ele aborda o tema.
Do mais, só tenho a indicar. A edição melhorou com o passar dos anos e o filme baseado na obra tem a estréia prevista, aqui no Brasil, para o dia 02 de março.


Deixo para vocês  o trailer que me emocionou demais e parece ser bem fiel ao livro:




Avaliação: 



Sobre o autor: 




William Paul Young (Alberta, 11 de maio de 1955) é um escritor do Canadá.
O mais velho de quatro filhos, Young passou grande parte da sua infância na Papua-Nova Guiné, junto com seus pais missionários, numa comunidade tribal. Os membros da tribo vieram a se tornar parte de sua família. O fato de ser a única criança branca na comunidade e que sabia falar sua língua veio a garantir um incomum acesso à cultura e à comunidade local. Pagou seus estudos religiosos trabalhando com DJ, salva-vidas e em diversos outros empregos temporários. Formou-se em Religião em Oregon, nos Estados Unidos da América. A sua obra mais conhecida é "A Cabana" (The Shack).





5 comentários:

  1. Confesso que não gostei do livro, embora nem sei bem porque faz anos que li, mas é uma historia comovente e revoltante, tenho filhos e da para sentir na pele o que o personagem sentiu quando aconteceu isso com sua filha, é difícil não se revoltar com tanta crueldade. Mas sei lá acho que faltou algo ou algo não me agradou vai entender rs.

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  2. na época que eu li eu não gostei do livro
    não entendia pq fez tanto sucesso... as vezes, não sei nem dizer o que faltou, ou que não me agradou eu só lembro que não gostei se não me engane achei a narrativa meio arrastada e muito frustante (eu esperava mais)
    enfim, mas isso foi logo quando lançaram talvez eu dê outra chance ao livro

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  3. Ana, eu não tive a oportunidade de ler essa obra ainda, estava querendo terminá-la antes do lançamento do filme porém nem a comecei então deixarei a leitura para o final do mês que vem.
    Esses questionamentos que Mark fez para si e que de certa forma também afetou o leitor, são os mesmos da maioria dos pais que teve seus filhos mortos de alguma forma, seja por forma brutal ou natural. Vejo que o autor conseguiu tocar o leitor de uma forma bem sensível, eu que só assisti o trailer percebo que além de ser um livro, essa obra também é uma forma de chegarmos mais perto de Deus -àqueles que acreditam nEle-.

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  4. Sempre ouço falar deste livro, mas nunca leio. Já ouvi comentários ótimos, mas o que mais tinha ouvido falar ~de pessoas que eu conheço~ era que o livro era ruim. Agora que li sua resenha, fiquei morrendo de vontade de ler, comigo não vai ter esse mimimi por conta da trindade, porque assim como o autor do livro eu não imagino Deus, Jesus e afins da forma que são descritas, eu nem consigo os imaginar, só sei que provavelmente são diferentes do que a maioria diz. Vou querer ler com toda certeza!

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  5. Ana!
    chorei apenas em ler sua resenha e fico imaginando quando tiver oportunidade de ler o livro...
    Deve ser doloroso perder uma filha criancinha, nem quero pensar...
    E saber que o autor abordou um lado mais religioso no livro, mostrando que o amor de Deus tem tem cor, credo, nacionalidade, nada, deve ser bem inspirador.
    Quero ler e assistir o filme.
    “Não basta saber, é preferível saber aplicar. Não é o bastante querer, é preciso saber querer.” (Johann Goethe)
    cheirinhos
    Rudy

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